A Rede de Teatro do Velho Chico em conjunto com importantes instituições culturais, coletivos e grupos teatrais entre 2015 e 2022, realizou 8 edições das Mostras de Teatro do Velho Chico, que é um indispensável mecanismo de difusão, formação e intercâmbio do teatro na Bahia. E agora organiza um dossiê da produção das Artes Cênicas no interior: desafios e resistências; além de ser voz ativa em todos os espaços de discussão, apoiadora e incentivadora de ações que fortalecem a linguagem do teatro e todos os seus desdobramentos.
Nosso compromisso tem sido resistir e jamais ficarmos reféns dos poucos, e mecanismos de políticas públicas de fomento ao teatro na Bahia. Repetimos: para o TEATRO DA BAHIA, e não do interior! Isso por que, não estamos apenas no interior, mas estamos na Bahia, território maior que insistem em diminuir e centralizar em Salvador e Região Metropolitana. O interior com todas as suas especificidades é Bahia e nós fazemos o teatro baiano.
Resistir é não renunciar às poucas oportunidades de mostrar o teatro e toda ciência das artes cênicas produzidas por aqui. É manter- -se vivo, mesmo quando as políticas de incentivo estão sendo esvaziadas e as gestões, em todas as esferas, parecem não nos enxergar e serem insensíveis às nossas pautas. O teatro permanecerá vigoroso e barulhento e não se esquecerá dos governos que não investiram ou tentaram silenciar artistas e grupos culturais.
Não nos propomos ao êxodo, queremos o diálogo e intercâmbio, sempre e constante, entre os territórios que nos separam e fazem do teatro baiano um varal de diversidades, expressões. Por isso buscaremos por espaços físicos e simbólicos; de formação e difusão; políticas de acesso e preservação das nossas memórias, sejam construídas como pontes de permanência, potencialização das ciências produzidas por todos os nossos artistas e para que, de uma vez por todas, não tenhamos que partir para fora dos nossos territórios para acessar o que deveria ser de bem comum.
Faz parte da política da Rede estabelecer relação direta com entidades do Estado, Municípios, empresas e instituições, para que possamos fortalecer os artistas e grupos que residem dentro dos nossos territórios de articulação. A Rede de Teatro de Velho Chico não se sustenta apenas dos mecanismos de fomento estabelecidos pelo estado, utiliza-se deles, calçando seu alicerce nas relações e na inteligência de sempre encontrar um modo de fazer, produzir suas ideias e ações. Ao longo dos anos, temos apresentado a Bahia de forma articulada e sonora, a força e potencialidades de mais de 14 grupos de teatro que envolve artistas, produtores, atores, atrizes, músicos, escritores, diretores que ajudam a fazer o teatro baiano e passaram a utilizar dessa forma de comunicação e registro, que é a revista da Rede, para publicar suas pesquisas e produções.
A Revista da Rede era um desejo antigo, que tem sua primeira publicação física através do Edital Setorial de Teatro 2019, que muito nos alegra e nos fortalece para juntos com os artistas, atrizes, atores, produtores, agentes, coletivos, trupes e grupos teatrais do interior, lutamos para garantir recursos permanentes para o setor cultural, não só através de editais, mas, também, de outras políticas públicas. A revista nasce em meio a esse tempo escuso, trazendo à cena os modos de produção de uma cadeia que dia após dia se alarga e insiste em não sucumbir! Inaugura, portanto, um novo tempo, um novo momento para a Rede, e para o teatro baiano.
Equipe Rede de Teatro do Velho Chico


